Ter habilidades maliciosas é fácil
A rapidez de pensar não é rara
A malandragem corre solta pelas ruas
Mas está presa na ignorância da inconsciência
Alguns se apoiam em um ombro amigo
Outros usam o ombro para carregar a mochila
Aqueles firmam no ombro as armas
Eles levam no ombro o instrumento companheiro
Vivem abusando dos talentos da esperteza
Sobrevivem consolidados nos interesses
Somos convencidos pelos desejos das insatisfações
Os caminhos que andam não são tão legais
Como aonde um dia queremos passear
Quando não valorizamos o que temos
Não passamos de meros malandros aproveitadores
Usamos táticas ultrapassadas sem perceber
E mesmo assim continuamos enganados
Acreditando que nunca está bom o suficiente
Porque a mediocridade desvaloriza o presente
Imediatamente a surpresa perde o valor
A visão só enxerga a ilusão do futuro
Tudo o que está mais distante
Parece ter muito mais valor para os espertos
Dentro de nós, muitas vezes opera um mecanismo de defesa astuto, um "sobrevivente" interno forjado para lidar com um mundo que parece exigir rapidez. Essa agilidade de pensamento é uma armadura fácil de vestir, mas que frequentemente nos aprisiona na ignorância de vivermos no piloto automático. Acreditamos que estamos ganhando o jogo da vida através da malandragem e da esperteza, quando, na verdade, estamos apenas encenando velhas táticas de sobrevivência.
ResponderExcluirObserve o que você tem carregado e como tem usado a sua própria estrutura. O peso da vida se distribui de acordo com as nossas posturas internas, e os nossos ombros revelam quem escolhemos ser. Você pode usar sua força para se permitir a vulnerabilidade do encontro, apoiando-se em um ombro amigo. Pode isolar-se, usando a própria força apenas para carregar a mochila de suas fugas solitárias. Pode tensionar o corpo para erguer as armas da reatividade, ou pode relaxá-lo para carregar a arte e os instrumentos que trazem sentido aos seus dias. A forma como você carrega o seu mundo define a beleza — ou a aspereza — do caminho por onde você anda.
O grande perigo dessa constante hipervigilância emocional é que ela nos torna reféns da insatisfação crônica. A nossa mente condicionada nos convence de que o que temos nunca é o suficiente, alimentando uma fome que não pode ser saciada. Quando nos tornamos "aproveitadores" do tempo, medindo cada relação e cada momento apenas pelo que podemos extrair deles, perdemos a capacidade de conexão real. Enganamos a nós mesmos ao acreditar que essa insatisfação é um motor, quando ela é, na verdade, uma âncora.
A mediocridade não está na simplicidade do hoje, mas na incapacidade de enxergar o valor do agora. Quando a mente está viciada na ilusão de que a felicidade está sempre no próximo passo, a surpresa e a beleza do momento presente perdem totalmente o brilho. Nossa visão se condiciona a olhar apenas para longe, criando a fantasia de que o horizonte inatingível é sempre mais rico e valioso do que o chão em que pisamos.
A verdadeira cura não exige que você seja mais ágil ou mais rápido que o mundo, mas que você tenha a coragem de desacelerar. O maior ato de sabedoria possível é desarmar esse personagem "esperto" que mora em você, reconhecer que táticas de defesa não substituem a vida real, e finalmente abrir os olhos para o valor imensurável daquilo que já está nas suas mãos.
Que parte do seu presente você tem desvalorizado por estar com os olhos presos na ilusão do amanhã?