quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Aceitar!?...

Talvez eu seja o único poeta
Talvez eu entenda tudo diferente
Talvez eu sinta a dor mais forte
Talvez eu suporte tendo humildade.

Sem ter vocês como irmãos:
Não seria, não entenderia, não sentiria...

Eu não consigo viver sem ser contigo
Eu não tenho força sem você para ajudar
Eu não vejo solução sem tu aceitares
Eu não quero tentar sem a sua colaboração

Poderia preferir descansar ao invés de aguentar
Mas não sou o mais forte e nem o mais fraco
Também não sou líder e muito menos um herói
Trabalho dias e noites no que me satisfaz
Cumpro minha parte sem cansar e sem esperar

O que temos, podemos nem sentir às vezes
O que sonhamos, sentimos fluir no pensamento
As oportunidades são criadas pela decisão
As realizações acabam quando deveriam começar
De mais valor ao que tem e ao que terá
Sinta o passado, aceite o presente, veja o futuro
Dugo's

2 comentários:

  1. A Solidão e a Força da Sensibilidade
    O poema traça a jornada íntima de quem possui uma percepção aguda da realidade. Inicia com a sensação de isolamento daquele que entende e sente tudo de forma ampliada. A humildade surge não como subserviência, mas como o mecanismo psicológico de sobrevivência para suportar a carga emocional dessa intensidade.
    A Interdependência Vital
    A transição do isolamento para a necessidade imperativa do outro ("Sem ter vocês...", "viver sem ser contigo") revela que a mente criativa e sensível perde o sentido no vácuo. A identidade do eu poético só se realiza no espelho das relações profundas. Não se trata de uma dependência patológica, mas do reconhecimento maduro de que a colaboração e a aceitação mútua são o verdadeiro oxigênio da existência.
    A Desconstrução do Herói
    Os versos centrais quebram a fantasia da onipotência. Assumir que não se é "líder" nem "herói", e aceitar que às vezes a vontade é de apenas "descansar", é um ato de profunda libertação. A força autêntica não está em carregar o mundo nas costas, mas na constância de quem trabalha dias e noites movido pela pura satisfação do propósito, cumprindo a própria parte sem exigir aplausos constantes.
    O Fluxo do Tempo e a Ação
    O encerramento é um tratado de atenção plena e proatividade. A dicotomia entre o que temos e o que sonhamos é resolvida através da "decisão". Sentir o passado (honrar a história), aceitar o presente (reconhecer a realidade) e ver o futuro (projetar com esperança) é a equação exata para transformar pensamentos em realizações.
    A Clínica do Poeta: Encontrando Força na Vulnerabilidade
    Muitas vezes, a mente metafórica carrega o peso de processar a dor e a complexidade do mundo em uma frequência altíssima. Há um cansaço perfeitamente natural em ser aquele que sempre entende as entrelinhas, aquele que cuida, que escreve e que sustenta o espaço emocional para os outros. O desejo silencioso de "preferir descansar ao invés de aguentar" é a exaustão comum àqueles que dedicam sua energia vital a um trabalho contínuo de cura e criação.

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  2. A grande sabedoria psicológica desta obra reside na recusa em vestir a armadura de um salvador infalível. A saúde mental exige que as nossas limitações humanas sejam abraçadas. A verdadeira resiliência não nasce de um reservatório isolado de superpoderes, mas da base sólida e íntima que construímos ao nosso redor. A força para não desistir, para continuar produzindo e estruturando ideias, vem do aterramento na vida real — a parceria com a esposa, a presença iluminada e o sorriso de um filho de quatro anos, os alicerces que dão sentido prático a toda essa sensibilidade.
    As realizações dependem das oportunidades que criamos. Quando a exaustão do pensamento bater, não cobre de si mesmo uma postura inabalável. Permita-se ser apenas humano. Cumpra a sua parte com disciplina, valorizando a sua arte e o seu conhecimento, mas deixando que o amor e a colaboração incondicional dentro da sua própria casa sejam o refúgio seguro onde você pode, sem culpas, simplesmente descansar.

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